quarta-feira, março 31, 2010

A Outra Face da Separação


Quando duas pessoas se unem, a intenção de ambas é a de que o relacionamento dure para sempre.

O fato é que boa parte das relações conjugais não alcançam essa meta, daí o ciclo que se instala de forma cada vez mais frequente em nossa sociedade: casamentos, separações, divórcios, recasamentos.

Quando questionamos o motivo da desunião, a resposta é geralmente o outro, o que merece nossa reflexão para avaliarmos até que ponto contribuimos ou não para o sucesso da nossa união.

Muitos casais optam pela separação, alegando que o amor acabou, o que nem sempre é verdade. Os "restos do amor" levados ao Judiciário muitas vezes advém de conflitos não tratados e, com o tempo, colocam fim ao projeto da vida a dois.

Todos nós somos capazes de previnir conflitos e mesmo que já estejam instalados na relação, podemos transformá-los em crescimento pessoal, restaurando o vínculo.

Para evitarmos o afrouxamento dos laços conjugais, devemos ativar o nosso amor:

1. Estimulando o diálogo: infelizmente, muitas vezes durante uma conversa interrompemos o outro ou tiramos conclusões precipitadas. Para termos uma boa conversa com o nosso parceiro é preciso saber falar, expressando-se com gentileza, escolhendo local e momento adequados para tratarem determinados assuntos) e saber ouvir (com interesse e oferecendo atenção indivisa ao outro). Para qualquer tipo de conversa, é importante o "olho no olho";

2. Buscando respostas (equilibrando amor e razão): evite intervenção de terceiros na relação; todas as respostas para os conflitos de um casal estão na própria relação. Muitas vezes é preciso desabafar, trocar idéias e, neste caso, opte por um profissional especializado ou por pessoas que realmente gostem e queiram o melhor "para o casal". Sempre submeta as orientações e conselhos recebidos ao crivo de seu próprio coração. Somente você sabe o que o(a) faz feliz;

3. Partilhando nosso Eu com o Outro: As mulheres criam mais expectativas do que os homens, no entanto, a assertiva vale para ambos: ninguém é capaz de imaginar o que o outro quer ou espera de nós. Precisamos "falar", informando ao outro sobre nossos sonhos/fantasias, projetos... Com essas informações é que criaremos um clima emocional mais favorável e estimularemos a criatividade de nosso parceiro;

4. Investindo na relação: devemos manter e ampliar os comportamentos positivos que adotávamos na época do namoro, como: cuidar de si mesmo (mente, corpo e espírito), transmitir nossos sentimentos ao outro; partilhar crenças e fazer pequenas renúncias.Para contribuirmos para o sucesso da nossa relação, nosso amor deve ser ativo, com doses diárias de conquistas, de cumplicidade e alegria. A outra face da separação nos revela que existe a possibilidade de recuperarmos um amor em crise. Que tal começarmos resgatando o que nos motivou a querer passar o resto de nossas vidas com nosso(a) parceiro(a)? Afinal, boas lembranças nos despertam para o que realmente importa e nos estimulará a repetirmos essas boas experiências com muito mais intensidade.

Aposte nisso. Acredite no amor.


Retirado do site Adriana Aguiar Brotti ,http://somostodosum.ig.com.br/p.asp?i=11089&s=1

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sexta-feira, março 26, 2010

Eu, você e o mal



A natureza humana é capaz de um mal infinito.
...Hoje, como nunca dantes, é importante que os seres humanos não subestimem o perigo representado pelo mal que espreita dentro deles.
Ele é, infelizmente, bastante real, e é por essa razão que a psicologia deve insistir na realidade do mal e deve rejeitar qualquer definição que o considere insignificante ou na verdade inexistente.

É, com frequencia, trágico, ver o quão evidentemente um homem estraga a própria vida e a de outros, e ainda assim, permanece totalmente incapaz de ver que toda a tragédia tem origem nele mesmo, e como ele, continuamente, a alimenta e a mantém em curso. Não conscientemente, é claro - pois conscientemente ele está engajado em lamentar um mundo pérfido que se perde cada vez mais na distância. Antes é um fator inconsciente, que tece as ilusões, que vela o seu mundo.

( Carl G. Jung)

Quando o mal é compreendido, como sendo intrinsecamente um fluxo de energia divina, momentaneamente distorcido, devido a idéias errôneas, a conceitos e imperfeições específicos, então ele não é mais rejeitado na sua essência.

(palestra do Pathwork, nº 184)



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sexta-feira, março 12, 2010

Enfrentando a dor da separação


Quem está passando por uma separação sabe bem a dor que isso causa e como é difícil manter o equilíbrio e a serenidade.

Nesse momento nos sentimos tão sem valor, que não encontramos forças para fazer algo por nós mesmos ou ainda, não acreditamos sermos merecedores de nada que possa fazer-nos sentir bem. Como se houvesse uma culpa oculta pelos próprios sentimentos.

Há uma mistura de sentimentos: culpa, abandono, raiva, medo, rancor, tristeza, frustração, impotência, dor, solidão e não sabemos o que fazer com cada um deles.

Muitas pessoas têm a tendência a negar os seus sentimentos, agindo como se eles não existissem dentro dela. É como se houvesse uma cobrança interna e muitas vezes, externa, de que não se deve sofrer e muito menos, demonstrar seu sofrimento.

Como não sofrer quando nos sentimos abandonados em nosso amor, em nossos sonhos? Negar o que sente é o caminho menos indicado, pois se não deixar esses sentimentos virem à tona, reprimindo tudo que sente, eles poderão buscar outra forma de serem expressos, em geral através de nosso corpo.

Por isso, por mais que esteja doendo, e em geral a dor é muito intensa, enfrente tudo que sentir. Chore, fique triste, mas permita-se sentir. Separar-se de quem se ama não é uma tarefa das mais fáceis, ainda que o relacionamento estava sendo destrutivo, ainda que aquilo que você chame de amor venha a descobrir que não era amor. É um momento de muita dor, como se tivessem atingido a nossa própria alma, que agora sangra de tal forma que parece não se cicatrizar nunca. As emoções ficam mais expostas e a razão parece sequer existir. Ficamos totalmente sem defesas e, assim, sem proteção.

E o que mais nos pedem é que sejamos racionais. Como, quando tudo é sentido com tal intensidade que parece não existir espaço para a razão? Separar-se de quem se ama não é uma tarefa das mais fáceis. É comum nessa hora esquecer-se de tudo que causou sofrimento, e do quanto os valores eram muito diferentes.

Geralmente a pessoa pela qual nos separamos está muito distante daquela com a qual começamos o relacionamento. Essa pode ser uma das causas da dificuldade em aceitar a separação, pois ficamos sempre esperando que um dia essa pessoa volte a ser quem um dia conhecemos e amamos, ou quem idealizamos. Lembramos tudo que foi vivido de bom, dos momentos agradáveis, das juras de amor eterno, dos sonhos.

Mas há quanto tempo será que você já estava sonhando sozinho? Uma relação é feita a dois, lembra-se?É evidente que a indiferença do outro nos causa muita dor, que parece levar sua vida muito bem, mesmo sem nos ter mais ao seu lado. Muitas vezes nos prendemos mais nas palavras do que nas atitudes e na falta delas.

Se alguém te deixou, será que merece suas lágrimas, suas noites em claro, sua autodestruição? O que adianta ficar ligando, procurando quem não quer mais manter o relacionamento? O que irá conquistar ao insistir naquilo que não existe mais, a não ser mais sofrimento?

Mas como enfrentar esse momento doloroso de separação? Apesar da perda, dos erros e feridas, podemos e, devemos, fazer algo para conseguirmos suportar esse momento tão cruel e que parece não ter fim.

- Não negue os acontecimentos, nem o que sente, nem sua dor. Por mais que esteja doendo, enfrente sua realidade, pois só assim conseguirá transformá-la. Respeite todos os seus sentimentos.

- Resista a tentação de querer se vingar com o intuito de fazer com que o outro sofra tanto quanto está sofrendo. Assuma a raiva que está sentindo por estar passando por isso, e lembre-se que ao ficar pensando nas diversas formas de se vingar, só estará mantendo o sofrimento que tanto quer se libertar.

- Ficar gritando para o mundo do que aconteceu, ligando ou enviando e-mails contando o que aconteceu a todos, não irá diminuir seu sofrimento, só fará com que se exponha para pessoas que nem sempre são dignas de sua confiança.

Procure ser cuidadoso com quem irá desabafar para que não ouça mais cobranças além das que você mesmo se faz.

Se não há quem o compreenda, escreva tudo que estiver sentindo em uma folha de papel, ou no computador, isso poderá ajudá-lo a entender melhor seus sentimentos e trará algum alívio.

- Procurar um outro amor de maneira desesperada, ou desejar se envolver com alguém por horas ou dias, também não irá curar sua dor. Poderá apenas amenizá-la um pouco, mas quando estiver sozinho novamente com seus pensamentos e sentimentos, tudo irá retornar com a mesma intensidade de quando fugiu nos braços de alguém.

Pense que ao se envolver com outra pessoa impulsionado apenas por sua carência, poderá iniciar uma relação mais destrutiva que a anterior.

- Caso esteja tendo algum sintoma físico, relacione com sua dor emocional e pense o que pode estar representando.

- Perceba se o que está machucando mais é realmente a falta da pessoa que se foi ou o sentimento de rejeição que está sentindo.

- Se havia sofrimento, por que quer voltar? Será que ainda não busca o relacionamento que idealizou e que estava muito distante da realidade?

Pense um pouco mais sobre isso. Analise, explore, reflita sobre tudo que aconteceu, considerando a realidade dos fatos e não aquilo que gostaria que tivesse acontecido.

- Evite ter pena de si mesmo. Autopiedade não faz bem a ninguém, nem ficar no papel de vítima, culpando o outro por tudo que aconteceu. Assuma sua responsabilidade na relação.

- Em situações de perda tendemos a ficar inseguros, com a autoestima baixa e sem amor-próprio e assim, sentimos muita dificuldade em fazer algo por nós.

Relembre como era sua vida antes desse relacionamento. Quantas coisas não deixou de fazer por você? Quantas pessoas não deixou de ver? Retome sua vida. Pense em algo que o faça se sentir bem e comece a se cuidar com muito carinho.

- Não coloque seu valor pessoal nas mãos de ninguém. Não é porque alguém não valorizou quem você é que isso significa que não tem valor. Com certeza você tem muito valor, mas o importante é que você reconheça isso.É nesse momento que poderá perceber a força que há dentro de você, e que o caminho por mais árduo que possa parecer nesse momento, poderá ser tornar muito mais iluminado, se permitir que sua própria luz o conduza!

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terça-feira, dezembro 22, 2009

Impermanência


Tudo tem o seu tempo determinado
e há tempo para todo propósito debaixo do céu:
Há tempo de nascer e tempo de morrer;
Tempo de chorar e tempo de rir;
Tempo de abraçar e tempo de afastar-se;
Tempo de amar e tempo de aborrecer;
Tempo de guerra e tempo de paz.
É tempo de morrer 2009 para que 2010 chegue.
Que venha a paz.





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quarta-feira, dezembro 16, 2009

O louco, enquanto espera o seu horário.....


O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim,somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.


Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.
O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera.. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas.. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silencio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses.
Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos...
Na última quarta-feira, estávamos:1. Eu2. Um crioulinho muito bem vestido,3. Um senhor de uns cinqüenta anos e4. Uma velha gorda.Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.
(2) O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba"? Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
(3) E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
(4) Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.
Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera.
Ele ri, ..... ri muito, o meu psicanalista, e diz:
- O Ditinho é o nosso office-boy.
- O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
- E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.
- E você, não vai ter alta tão cedo...

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segunda-feira, dezembro 07, 2009

Quero saber qual a sua dor



Não me importa o que você faz para sobreviver.
Quero saber qual a sua dor e se você tem coragem de
encontrar o que seu coração anseia.


Não me importa saber sua idade.
Quero saber se você se arriscaria parecer com um louco por amor,
pelos seus sonhos, pela aventura de estar vivo.


Não me importa saber quais planetas estão quadrando sua lua.
Quero saber se você tocou o âmago de sua tristeza,
se as traições da vida lhe ensinaram, ou se omitiu por medo de sofrer.


Quero saber se você consegue sentar-se com as dores, minhas ou suas, sem se mexer para escondê-las, diluí-las ou fixá-las.


Quero saber se você pode conviver com a alegria, minha ou sua, se pode dançar com selvageria e deixar o êxtase preenchê-lo até o limite sem lembrar de suas limitações de ser humano.


Não me importa se a estória que você me conta é verdadeira. Quero saber se você é capaz de desapontar o outro para ser verdadeiro para si mesmo, se pode suportar a acusação da
traição e não trair sua própria alma.


Quero saber se você pode ser fiel e consequentemente fidedigno.
Quero saber se você pode enxergar a beleza mesmo que não sejam bonitos todos os dias, e se pode perceber na sua vida a presença de Deus.


Quero saber se você pode viver com as falhas, suas e minhas, e ainda estar de pé na beira do lago e gritar para o prateado da lua cheia… ? Sim?!


Não me importa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem.
Quero saber se você pode levantar depois de uma noite de pesar e
desespero, exausto, e fazer o que tem de fazer para as crianças.


Não me importa saber quem você é, ou como veio parar aqui.
Quero saber se você estará ao meu lado no centro do fogo sem recuar.


Não me importa saber onde, o que, ou com quem você estudou.
Quero saber o que sustenta o seu interior quando todo o resto desaba.
Quero saber se você pode estar só consigo mesmo e se verdadeiramente gosta da companhia que carrega em seus momentos vazios.


Feliz caminhada a todos…
Desejo que encontrem a coragem e sabedoria
para serem verdadeiros consigo mesmos.

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